Avaliação: 3/5
José de Alencar, um dos grandes patriarcas da literatura brasileira, pelo volume e mensagem de sua obra, deu à ficção produzida no século XIX, um tratamento monumental. Escritor romântico, enfocou os mais importantes aspectos da nossa realidade: o índio e o branco; a cidade e o campo; o sertão e o litoral. A presente obra, que lhe granjeou popularidade ao ser lançado em folhetim, era lido avidamente, até nas ruas, à luz dos lampiões. O romance conta a história de amor entre o índio Peri e a moça branca Ceci, tendo como cenário o Brasil do século XVII.
Paradidáticos são os maiores dilemas dos estudantes brasileiros. Primeiro paradidático do ano em uma escola nova, com o Ensino Médio me matando. Mas foi o jeito. Tive que ler.
Peri é um índio guarani, que um dia salvou a vida de uma moça portuguesa chamada Cecília. Desde então passou a chamá-la "senhora", e agir verdadeiramente como um escravo, disposto até a arriscar sua vida para salvá-la. Cecília tem uma prima chamada Isabel, apaixonada por Álvaro, mas Álvaro é apaixonado por Cecília. Seu pai é pai também de D. Diogo, que um dia sem querer matou uma índia da tribo aimoré, que agora tem sede de vingança. E Loredano, um italiano mal encarado, com um passado sombrio, está a trabalhar em planos que podem ser perigosos. As vidas de todas essas pessoas se entrelaçam, ao mesmo tempo que José de Alencar ressalta as belezas do novo território descoberto pelos portugueses, destacando o caráter romântico nacionalista dos autores da época.
Um clássico como esse, era bem provável que tivesse uma linguagem muito formal e enfadonha. E a probabilidade se fez real, e por isso demorei séculos pra terminar de lê-lo, e só o fiz na noite anterior à prova. A descrição de José de Alencar mostra fauna e floras exuberantes, e ele não cansa de falar da beleza que é a natureza brasileira, sobre o índio, sobre o português nesse território novo. É bonita, mas pode se tornar muito cansativa.
Quanto aos personagens, achei Peri meio louco. Sua adoração por Ceci não é normal. Gostei de Álvaro e de Isabel, foram os mais interessantes, e eles têm um destino que, a não ser que alguém te conte spoilers, no início você não imaginaria que tal coisa iria acontecer. Os diálogos são surreais, a não ser que realmente naquela época o povo realmente falasse de um jeito tão "épico" e... bem, lendo vocês entenderão o que quero dizer.
Ao terminar o livro, por incrível que pareça, eu gostei. Mesmo tendo sido uma leitura longa, não foi em vão: conheci um clássico da literatura do meu país, e mais importante, do meu estado, pelo fato de que José de Alencar também é cearense. Acho que todos devemos dar uma chance pros clássicos brasileiros durante nossa vida como leitores.
Informações sobre o livro:
Título: O Guarani
Autor: José de Alencar
Editora: UFC Edições
Páginas: 358
Adaptações cinematográficas: O Guarani, 1996
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