[Resenha] Delírio - Lauren Oliver


Avaliação: 4/5
Muito tempo atrás, não se sabia que o amor é a pior de todas as doenças. Uma vez instalado na corrente sanguínea, não há como contê-lo. Agora a realidade é outra. A ciência já é capaz de erradicá-lo, e o governo obriga que todos os cidadãos sejam curados ao completar dezoito anos. Lena Haloway está entre os jovens que esperam ansiosamente esse dia. Viver sem a doença é viver sem dor: sem arrebatamento, sem euforia, com tranquilidade e segurança. Depois de curada, ela será encaminhada pelo governo para uma faculdade e um marido lhe será designado. Ela nunca mais precisará se preocupar com o passado que assombra sua família. Lena tem plena confiança de que as imposições das autoridades, como a intervenção cirúrgica, o toque de recolher e as patrulhas-surpresa pela cidade, existem para proteger as pessoas. Faltando apenas algumas semanas para o tratamento, porém, o impensado acontece: Lena se apaixona. Os sintomas são bastante conhecidos, não há como se enganar — mas, depois de experimentá-los, ela ainda escolheria a cura?
Lena, uma menina de 17 anos, que mora em Portland, conta os dias para sua intervenção. Processo em que ela finalmente ficará livre do amor deliria nervosa. Essa doença que assombra sua família, que deixou marcas, uma doença repelida pelas pessoas. Ela não vê a hora de estar livre e ser feliz. Quando ela passar por essa intervenção, será pareada a um rapaz, terá filhos e uma família. 
Não gosto de pensar que continuo andando por aí com a doença em meu sangue. Às vezes sou capaz de jurar que posso senti-la se movendo por minhas veias como algo estragado, tipo leite azedo. Isso faz com que me sinta suja, me faz pensar em crianças pirracentas, em resistênca, em meninas doentes raspando o chão com as unhas, arrancando os cabelos, babando. (pág. 7)
Até que um dia ela se apaixona por Alex, que esconde um segredo. Ela começa a descobrir o amor, esse sentimento que preenche o seu coração, a faz sentir única e feliz, estando ao lado dele. E prefere morrer a passar pela intervenção.
Abro a boca e digo:
- Eu também amo você.
(pág. 295)
Dentre as personagens, Hana, a melhor amiga de Lena, é uma das melhores, juntamente com Gracie. Gracie, apesar de não falar praticamente nada, é uma gracinha! Hana é divertida, uma pessoa boa, engraçada, aspirante da liberdade de poder viver, e não viver repreendida pelas garras do sistema que impede que as pessoas amem. Gostei muito dela. Lena também não é ruim, apesar de ter aquela fragilidade e ir se fortificando com o passar da história. 

Uma das coisas que eu mais gostei no livro foi perceber como era a vida das pessoas curadas. Ver que o amor é o que move tudo. É incrível como as pessoas que passaram pela intervenção são frias, vivem numa vida "mesma", sem a alegria que o amor proporciona. Não apenas no ponto de vista romântico, mas o amor que move as famílias, os amigos, que nos faz sentir bem. Ver como as pessoas sem amor são frias, não demonstram sentimentos, não têm apego a nada. Uma sociedade sem amor é simplesmente inconcebível.
Por um segundo ficamos paradas ali, piscando uma para outra, e em seguida ela estende os braços em minha direção. Tenho certeza de que vai me envolver em um abraço, como nos velhos tempos, ou, ao menos, me apertar com um dos braços.
Em vez disso, ela simplesmente tira uma mecha de cabelo de minha testa.
O livro é muito bom. Devemos ler com algo em mente: isso é o início de uma trilogia. É uma introdução. Nele, descobrimos um pouco de como funcionava a vida de Lena, as personalidades de algumas personagens, como era a sociedade sem o amor. No fim, temos um começo do segundo livro da trilogia, "Pandemônio", e é claro que dá vontade de ler, saber o que acontece a seguir. Mas teremos que esperar.
Mas não apenas eu. Tudo parece lindo. A Shhh diz que o deliria altera a percepção, compromete a capacidade de raciocinar com clareza e impede julgamentos corretos. Mas ela não diz o seguinte: o amor transforma o mundo inteiro em algo maior. Mesmo o lixo, brilhando no calor, um amontoado enorme de sucata, plásticos derretidos e sujeira, parece estranho e milagroso, como um mundo alienígena transportado para a Terra. À luz da manhã, as gaivotas empoleiradas no teto da prefeitura parecem ter sido cobertas com uma tinta branca espessa; quando elas se destacam sob o céu azul-claro, penso que nunca vi nada tão intenso, claro e bonito. 
Eu super recomendo o livro, é muito bom. Vamos, Lauren, nos surpreenda com os próximos!

Informações sobre o livro
Título: Delírio
Autora: Lauren Oliver
Editora: Intrínseca
Páginas: 342 
Preço: CulturaSaraiva ♥ Submarino



11 comentários:

  1. AHHHH estou muito ansioso para ler o livro, ele já está aqui e não vejo a hora de começar a ler. Sua resenha ficou ótima e seus comentários positivos só me fizeram apostar mais nesse livro.

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  2. Eu não sei de onde as pessoas tiram a criatividade para escrever um livro assim! Achei interessante e original, o Amor como doença, quem ia pensar isso? Faz tempo que quero ler e não tem desculpa, ele tá super barato pelas livrarias.

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    1. É criativo, né? E realmente ele não tá caro, não.

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  3. Gostei da resenha, eu acho a capa tãããããoooo linda! Tô louca pra ler e tô participando de 500 promoções dele mais ou menos kkkkk. Mas como sou azarada, vou ter que comprar mesmo uma hora dessas :(.

    Beijoss
    Nati

    http://www.meninadelivro.com.br/

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    1. Tomara que você consiga ganhar, Natália hahaha

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  4. Eu me decepcionei um tanto com o livro, achei que faltou alguma coisa, sabe? A protagonista não me cativou nem o mocinho, e como o foco é no romance dos dois, fica meio difícil de se apegar ao livro! O problema é que não pude evitar a comparação mental com outros livros que eu já conhecia, então parecia que a história não era tão original assim, apesar da ideia que foi muito boa! O que eu gostei foi a mesma coisa que você - ver como uma sociedade sem amor seria. Simplesmente sem sentido, né?

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    1. Ni, mas tem aquilo de ser início de trilogia, né? Quando ao Alex, acho que o que eu percebi é que ele é confiante, né? Sei lá. Talvez pudessem tê-lo retratado melhor.

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  5. Estou muito ansiosa para ler esse livro *-* A história parece ser bem elaborada, além de diferente. Assim que tiver uma oportunidade vou compra-lo *-*
    Ótima resenha, parabéns ^^
    Isabelle - http://attraverso-le-pagine.blogspot.com.br/

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  6. Ah, confesso que tenho bastante curiosidade em ler esse livro, mas minhas expectativas em relação a ele são bem baixas. A história num todo chama muito a minha atenção, é bem diferente de tudo que li, mas vi tantas criticas negativas que fiquei com um pé atrás. Quem sabe quando minha fila de leitura diminuir eu resolva dar um chance. Enfim, adorei a resenha :D

    Beijos&beijos
    Book is life

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  7. As melhores distopias precisam explicar em detalhes como tudo realmente é. Nisso, Delírio ganha pontos por retratar uma sociedade sem amor sem deixar buracos. Confesso que achei a capa nada interessante, mas como dizem, não julgue o livro pela capa, né?!.

    Delirio não é um simples "mais um da Intrinseca". Ganha vantagem ao não dar espaço à romances teens bobos e inseguros e sim algo maduro, pincelado por uma análise crítica do amor, de laços sociais, de estar apaixonado. É uma excelente obra essa de Lauren

    att., CJ| Braunne BR

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